quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A Presença das Teorias Curriculares na Minha Escolarização

Estudei numa escola particular a minha vida inteira e agora pude notar que nela os currículos das séries continham metodologias de ensino que provinham de diferentes teorias curriculares, de forma que pretendo apresentar alguns exemplos destas metodologias, bem como opinar sobre sua influência em minha escolarização.


Teorias tradicionais: Na minha escola, assim como na maioria delas, uma grande parte do ensino estava voltada para o conteúdo cobrado nos vestibulares, concebendo a educação primária e secundária como uma ferramenta para a obtenção de um diploma do ensino superior e a subseqüente construção de uma carreira profissional de sucesso. Tal pensamento integra o currículo pensado pelas teorias tradicionais, especialmente a de Bobbitt, como podemos ver neste trecho do livro "Documentos de Identidade: Uma Introdução às Teorias do Currículo" de Tomaz Tadeu da Silva: "Tudo o que era preciso fazer era pesquisar e mapear quais eram as habilidades necessárias para as diversas ocupações. Com um mapa preciso dessas habilidades, era possível, então, organizar um currículo que permitisse sua aprendizagem". Eu não considero a preocupação com a formação profissional uma atitude negativa, desde que ela não suplante valores éticos fundamentais nem industrialize a escola, mecanizando os alunos e mesmerizando suas capacidades.


Teorias críticas: Em disciplinas como História, Geografia, Filosofia e Sociologia, sempre nos foi dada a oportunidade de discutir e refletir sobre temas que estavam diretamente ligados a nossa própria sociedade, como política, economia, religião, etc... Tais discussões e reflexões não se baseavam, necessariamente, em nenhuma ideologia em particular, mas mesmo assim buscavam uma visão crítica do assunto estudado, bem como das suas implicações e consequências para a humanidade. Esta oportunidade foi tornada possível graças as teorias críticas. Ainda no livro de Tomaz Tadeu da Silva, ele diz que "As teorias críticas são teorias de desconfiança, questionamento e transformação radical". Concordo que a necessidade de debates dentro da sala de aula é indispensável, para não dizer óbvia demais.


Teorias pós-críticas: Também nestas disciplinas se procurava contextualizar a importância e a participação dos grupos chamados de minorias, aqueles que na maioria das vezes são sumarizados dentro da História mais tradicional, como as mulheres, os negros, os indígenas e os homossexuais. Muitas vezes esta contextualização se dava junto com as discussões mencionadas no item anterior, aproveitando o gancho para este tipo de assunto que tais debates criam. Apesar disso, não havia um item formal no currículo que dissesse respeito a estas minorias (outro conceito discutível...), como História da África, por exemplo. Tais temas eram pincelados dentro das perspectivas da própria aula. Tomaz Tadeu da Silva nos coloca que "Os grupos culturais subordinados - as mulheres, os negros, as mulheres e os homens homossexuais - iniciaram uma forte crítica àquilo que consideravam como o cânon literário, estético e científico do currículo universitário tradicional". A necessidade de multiculturalismo na educação, para mim, é tão explícita quanto a necessidade de dialógo entre o professor e os alunos.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Para que serve a escola?

Muito já foi dito sobre este assunto. Mesmo assim, este é o tipo de pergunta que nunca deixará de ser feita, mesmo porque ela não tem uma resposta que possa ser considerada como a mais correta ou a mais completa. E isso não se deve só ao fato de que as respostas são pessoais e influenciadas por uma série de fatores que vão de leituras à vivências. A escola, enquanto instituição, serve para aquilo que se quiser fazer com o que é oferecido dentro de seus limites. São os alunos que escolhem para que serve a escola e esta escolha é individual, de forma que cada um busca os seus próprios objetivos, sejam eles esperados ou não.

Dizer que o papel da escola é preparar para o vestibular ou formar um cidadão consciente são clichês que, apesar de fazerem algum sentido, não definem o verdadeiro papel desta instituição. Milhares de alunos saem pelos portões escolares sem estarem preparados para o vestibular e milhões saem sem estarem conscientes de seja lá do que for. Mas isso não significa que a escola fracassou: apenas aqueles que buscam tais objetivos os alcançam e é aí que entra o poder de escolha dos alunos.

Pensando desta forma, e colocando a vontade do aluno como movimento primário do seu próprio desenvolvimento escolar, pode-se dizer que a escola serve de laboratório de testes, onde alguns aprendizados serão obtidos pela veia formal (a decisão de se esforçar nos estudos, por exemplo) e outros, geralmente de caráter pessoal, serão obtidos pela veia informal (as amizades, por exemplo). É nesse ponto que a escola começa a se tornar indissociável da vida dos alunos e também é nesse ponto que a qualidade da instituição se mostra necessária, pois bons professores e boas infra-estruturas são de grande ajuda para aqueles que de fato estão buscando algo de bom para si mesmos.

Mesmo assim, é importante lembrar que muitos alunos já construíram muito com o pouco que lhes foi oferecido por suas escolas. Isso só vem a reforçar esta idéia da escola mais como uma ferramenta que possui muitas utilidades e também muitas faces, não estando centralizada em lugar nenhum, e menos como um prédio localizado num lugar concreto, como um bairro.

Apresentação

Este blog foi criado por mim, Guilherme Raul Blaese Pasold, para ser o meu digifólio da disciplina de Didática B, ministrada pela professora Jane Bittencourt. Nele se propõe a reflexão sobre as questões discutidas em sala, bem como o desenvolvimento das atividades propostas pela professora como método de assimilação do conteúdo ensinado. O caráter de tais reflexões e atividades variará de acordo com o requerido pela disciplina, assim como as opiniões apresentadas aqui, que serão sempre de minha autoria. E as atualizações também seguirão esta regra, sendo feitas a medida que se tornarem necessárias. O nome do blog é o mesmo nome de um filme de 1979 dirigido por Allan Arkush. Assim como a música "Another Brick in the Wall" do Pink Floyd, este filme também critica a educação demasiada repressora que por muito tempo foi aplicada nas escolas, seguindo o modelo conservador.

No final, a banda de punk rock Ramones explode a escola autoritária onde a trama se passa e é esta cena em especial que ilustra o espírito da película. Sabemos que explosões não são necessariamente o melhor método para se estudar a importância e a necessidade da educação na vida das pessoas, mas também sabemos que uma escola que possibilita a participação dos alunos nas suas próprias atividades é muito mais eficaz tanto para preparar estes alunos para o mercado de trabalho quanto para educá-los para se tornarem cidadãos prontos para melhorarem a sociedade em que vivemos. E é essa forma de pensamento que este blog procurará seguir.