Estudei numa escola particular a minha vida inteira e agora pude notar que nela os currículos das séries continham metodologias de ensino que provinham de diferentes teorias curriculares, de forma que pretendo apresentar alguns exemplos destas metodologias, bem como opinar sobre sua influência em minha escolarização.
Teorias tradicionais: Na minha escola, assim como na maioria delas, uma grande parte do ensino estava voltada para o conteúdo cobrado nos vestibulares, concebendo a educação primária e secundária como uma ferramenta para a obtenção de um diploma do ensino superior e a subseqüente construção de uma carreira profissional de sucesso. Tal pensamento integra o currículo pensado pelas teorias tradicionais, especialmente a de Bobbitt, como podemos ver neste trecho do livro "Documentos de Identidade: Uma Introdução às Teorias do Currículo" de Tomaz Tadeu da Silva: "Tudo o que era preciso fazer era pesquisar e mapear quais eram as habilidades necessárias para as diversas ocupações. Com um mapa preciso dessas habilidades, era possível, então, organizar um currículo que permitisse sua aprendizagem". Eu não considero a preocupação com a formação profissional uma atitude negativa, desde que ela não suplante valores éticos fundamentais nem industrialize a escola, mecanizando os alunos e mesmerizando suas capacidades.
Teorias críticas: Em disciplinas como História, Geografia, Filosofia e Sociologia, sempre nos foi dada a oportunidade de discutir e refletir sobre temas que estavam diretamente ligados a nossa própria sociedade, como política, economia, religião, etc... Tais discussões e reflexões não se baseavam, necessariamente, em nenhuma ideologia em particular, mas mesmo assim buscavam uma visão crítica do assunto estudado, bem como das suas implicações e consequências para a humanidade. Esta oportunidade foi tornada possível graças as teorias críticas. Ainda no livro de Tomaz Tadeu da Silva, ele diz que "As teorias críticas são teorias de desconfiança, questionamento e transformação radical". Concordo que a necessidade de debates dentro da sala de aula é indispensável, para não dizer óbvia demais.
Teorias pós-críticas: Também nestas disciplinas se procurava contextualizar a importância e a participação dos grupos chamados de minorias, aqueles que na maioria das vezes são sumarizados dentro da História mais tradicional, como as mulheres, os negros, os indígenas e os homossexuais. Muitas vezes esta contextualização se dava junto com as discussões mencionadas no item anterior, aproveitando o gancho para este tipo de assunto que tais debates criam. Apesar disso, não havia um item formal no currículo que dissesse respeito a estas minorias (outro conceito discutível...), como História da África, por exemplo. Tais temas eram pincelados dentro das perspectivas da própria aula. Tomaz Tadeu da Silva nos coloca que "Os grupos culturais subordinados - as mulheres, os negros, as mulheres e os homens homossexuais - iniciaram uma forte crítica àquilo que consideravam como o cânon literário, estético e científico do currículo universitário tradicional". A necessidade de multiculturalismo na educação, para mim, é tão explícita quanto a necessidade de dialógo entre o professor e os alunos.
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