Este post tem como objetivo concluir a atividade de avaliação através do uso de um digifólio, expondo algumas considerações sobre o que foi trabalhado e conseqüentemente aprendido tanto nas aulas quanto no próprio digifólio. Pois bem, não posso dizer que esta disciplina causou algum tipo de epifania em relação à minha visão do papel do professor na sociedade, enquanto profissional da área da educação. Mas tal colocação não é, de forma alguma, uma crítica ao modo como as aulas foram ministradas. Ao contrário. Já percebi que as matérias relativas às ciências da educação tendem a seguir um certo padrão, quase como uma evolução onde a atual complementa a anterior e é complementada pela posterior. Nesse sentido a disciplina de Didática B cumpriu bem com seus objetivos e reconheço aqui que houveram falhas de minha parte, pois seria hipocrisia viver ressaltando a importância da bilateralidade da relação professor-aluno e não apontar que por vezes eu faltei com essa bilateralidade. Mesmo assim, acredito que aprendi lições valiosas, mesmo que seja díficil explicá-las fora de um contexto adequado. Isso também não representa um demérito da disciplina, pois ela lida com situações muito práticas e faz sentido que as lições aprendidas sejam melhor observada no dia-a-dia, inclusive durante os estágios e a própria docência. Acho que todos tem dificuldade de organizar suas próprias crenças em relação ao estudo que realizam. Nessa matéria consegui desenvolver um pouco melhor minhas opiniões sobre a profissão que pretendo exercer futuramente. A opinião sobre a bilateralidade, já citada aqui, é um reflexo disso. Também posso dizer que aprendi a não buscar modelos. Nem Freire nem Vigotsky devem ser vistos como guias, pois o universo que abarca o magistério é muito complexo e multiforme, embora certas idéias atravessem essas grandes distâncias.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Planejar. Pra que?
Falar sobre a importância do planejamento dentro da escola e, em especial, no trabalho do professor parece desnecessário, tamanha a obviedade de tal importância. Apesar disso, podemos listar três pontos fundamentais, mas nem por isso valorizados:
- O período de antecipação: É aqui onde se determina o sucesso ou fracasso do plano. Um cuidado especial deve ser dedicado ao ato de planejar o planejamento, pois ele próprio pode ser encarado como uma atividade a ser aprendido e aprimorado pelo professor.
- As características do público-alvo: O plano deve levar em conta o caráter de quem ele se destina. Por "caráter" se entende o conjunto de atitudes que caracterizam a sala (alunos comportados ou não, com dificuldades, etc...). Tudo que pode facilitar o desenvolvimento do projeto é relevante e cabe ao professor se assegurar dessas particularidades.
- A dimensão do plano: Saber o que se pretende fazer. E com isso escolher um plano que se encaixe nessa necessidade. Isso é vital para que o planejamento adquira as proporções adequadas ao seu bom realizamento.
Já disse aqui que é necessário, senão indispensável, haver mutualidade nas relações entre o professor e sua classe. O planejamento também pode ser usado para reforçar ou até mesmo criar laços de mutualidade entre o professor e os alunos. Ele serve como um aproximador, pois indiretamente possibilita a realização de atividades que incentivam a vontade de aprender da classe, aproximando-a, assim, do professor, que é o desenvolvedor de tais atividades. Um projeto que educa e diverte tem um poder de atração muito forte, justamente por sua natureza dual, no sentido de realçar aspectos nem sempre imaginados, especialmente na História, que abrange diversas culturas e aparece em diversas mídias.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
A importância da avaliação escolar
A prática formativa busca reformular a forma como as avaliações escolares são concebidas e aplicadas, bem como seu papel no processo de aprendizado dos alunos. Sinteticamente, essa teoria propõe que a avaliação deve ser utilizada como um instrumento para enriquecer o aprendizado obtido, ao invés de apenas se destinar a avalia-lo. Também propõe que tal uso da avaliação se dê de forma ampla, considerando particulariedades presentes no desenvolvimento de cada estudante. De fato, tal forma de pensamento traz benefícios para a escola que a aplica, mas sabe-se que a falta de tempo e de critério é uma falha considerável que atrapalha o pleno desenvolvimento dessa teoria. Analisarei dois pontos que considerei os mais relevantes apresentados pela idéia de uma prática formativa:
A avaliação deve constituir uma oportunidade real de demonstrar o que os sujeitos sabem e como o sabem. Somente assim o professor poderá detectar a consistência do saber adquirido e a solidez sobre a qual vai construindo seu conhecimento. Uma avaliação jamais deve ser formulaica. O uso de métodos tradicionais é válido em muitas ocasiões, mas o professor deve evitar ao máximo deixar que suas avaliações caiam na mesmice, tornando-se uma ladainha de perguntas clichês. Tal pensamento também se aplica às aulas. O professor deve, por conta própria, sem se pautar por modelos pedagógicos, buscar a inovação de seu método de ensino, de acordo com suas capacidades e respeito da classe. Numa prova, o estilo adotado deve ser o do "caminho do meio": O uso equilibrado de técnicas tradicionais e formativas, de modo a buscar um resultado que expressa as capacidades de cada aluno e ao mesmo tempo não torne a vida do professor uma série infindável de dias onde ele apenas corrige provas. Criatividade e pés no chão aqui são essenciais na mesma medida.
Nessa dinâmica, a avaliação converte-se em atividade de aprendizagem estreitamente ligada à prática reflexiva e crítica, atividade da qual todos saem beneficiados precisamente porque a avaliação é - deve ser - fonte de conhecimento e impulso para conhecer. Essa questão é ainda mais importante que a outra. O aluno deve ter vontade de aprender. E não é só a escola que deve se responsabilizar por tal tarefa. Antes dela, a família e, em primeiro lugar, o próprio aluno devem ser personagens ativos nesta história. Uma avaliação que busca estimular a vontade de aprender é muito útil, mas não essencial. Antes de tudo, é o aluno que deve compreender a importância da sua educação, seja para o trabalho, seja para a cidadania. Cabe ao professor se tornar uma figura participativa nesse processo de constante renovação da vontade de aprender. É aí que os dois trechos se intercalam: É muitos mais fácil ter vontade de estudar quando se é estimulado para isso. E também é muito mais fácil estimular a vontade de estudar quando se é valorizado por isso. Essa deveria ser a regra de ouro do magistério. Um professor que é superior aos seus alunos, mas que usa dessa sabedoria para se fazer em pé de igualdade com eles, de forma a vê-los como uma parte de sua própria vida pessoal e por isso mesmo procurar dar o seu melhor. Os alunos reconhecem tal esforço e o respeitam, percebendo que são eles que mais precisam se dedicar, pois também são eles que mais tem a perder.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Meu posicionamento diante das novas didáticas
Depois de conhecer as teorias tradicionais e as novas teorias de ensino, reforcei minha opinião que ambas são necessárias para ajudar tanto o professor quanto o aluno a aproveitarem o máximo de uma aula. Embora não conhecesse seus fundamentos teóricos, já convivi com seus fundamentos práticos na minha escolarização e na minha graduação. E foi relembrando meu próprio ambiente de aprendizado que conclui como enxergo estas novas didáticas. Falarei aqui dos três pontos que mais chamaram a minha atenção:
Primeiro, devo dizer que não sou um opositor ferrenho de certas concepções das teorias tradicionais. A maioria delas garante ao professor uma superioridade que ele tem e merece. Mas, além disso, é essa superioridade que permite ao professor estimular o pensamento independente de seus alunos. As novas didáticas, e eu concordo com elas nesse aspecto, procuram consolidar a aprendizagem escolar no cotidiano do aluno. Isso é muito importante: a escola não pode e não deve ser vista como uma academia de eruditos. O conhecimento está em todo lugar, mas é preciso conhecimento para encontrá-lo, seja lá onde ele estiver. E é aí que entra o papel superior do professor: ele pode usar sua autoridade para ajudar os alunos a organizarem seu aprendizado, de forma a orientar a todos graças a um padrão por ele criado (ou adaptado). Essa idéia de educar cada aluno de acordo com a sua velocidade é como a anarquia: maravilhosa na teoria e um verdadeiro Inferno na prática. Nesse ponto eu discordo das novas teorias.
Em segundo, temos a busca por respeito à diversidade das personalidades e culturas. Também sou a favor desse aspecto, desde que, claro, tais personalidades e culturas não firam os outros alunos, mesmo que involuntariamente. E muito menos voluntariamente. Uma gama ampla de culturas permite que os alunos de fato conheçam tais culturas, contextualizando-as com o conteúdo ensinado. Mais uma fez o caratér de autoridade do professor é importante: ele pode usá-lo para evitar que um aluno fique de gozações para com outro colega, diferente dele por ser integrante de uma outra cultura. Aqui não há espaço para a discordância, respeito é fundamental em qualquer teoria.
Por último, ressalto a valorização da autonomia do aluno e da sala, observados certos limites. Isso é essencial. A autonomia deve mover o aluno: autonomia de organizar os seus horários e estudos, autonomia de ultrapassar os limites da sala e pesquisar mais sobre os assuntos ensinados, etc... Não é papel do professor fazer o aluno gostar de estudar. É papel do professor fazer o aluno gostar ainda mais de estudar. Essa autonomia deve provir do próprio aluno. É ele que deve perceber que o estudo é crucial para a sua vida. E o professor deve fazer o máximo para tornar esse caminho o mais proveitoso possível, nem que para isso ele deva colocar muitas pedras nele.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
A Presença das Teorias Curriculares na Minha Escolarização
Estudei numa escola particular a minha vida inteira e agora pude notar que nela os currículos das séries continham metodologias de ensino que provinham de diferentes teorias curriculares, de forma que pretendo apresentar alguns exemplos destas metodologias, bem como opinar sobre sua influência em minha escolarização.
Teorias tradicionais: Na minha escola, assim como na maioria delas, uma grande parte do ensino estava voltada para o conteúdo cobrado nos vestibulares, concebendo a educação primária e secundária como uma ferramenta para a obtenção de um diploma do ensino superior e a subseqüente construção de uma carreira profissional de sucesso. Tal pensamento integra o currículo pensado pelas teorias tradicionais, especialmente a de Bobbitt, como podemos ver neste trecho do livro "Documentos de Identidade: Uma Introdução às Teorias do Currículo" de Tomaz Tadeu da Silva: "Tudo o que era preciso fazer era pesquisar e mapear quais eram as habilidades necessárias para as diversas ocupações. Com um mapa preciso dessas habilidades, era possível, então, organizar um currículo que permitisse sua aprendizagem". Eu não considero a preocupação com a formação profissional uma atitude negativa, desde que ela não suplante valores éticos fundamentais nem industrialize a escola, mecanizando os alunos e mesmerizando suas capacidades.
Teorias críticas: Em disciplinas como História, Geografia, Filosofia e Sociologia, sempre nos foi dada a oportunidade de discutir e refletir sobre temas que estavam diretamente ligados a nossa própria sociedade, como política, economia, religião, etc... Tais discussões e reflexões não se baseavam, necessariamente, em nenhuma ideologia em particular, mas mesmo assim buscavam uma visão crítica do assunto estudado, bem como das suas implicações e consequências para a humanidade. Esta oportunidade foi tornada possível graças as teorias críticas. Ainda no livro de Tomaz Tadeu da Silva, ele diz que "As teorias críticas são teorias de desconfiança, questionamento e transformação radical". Concordo que a necessidade de debates dentro da sala de aula é indispensável, para não dizer óbvia demais.
Teorias pós-críticas: Também nestas disciplinas se procurava contextualizar a importância e a participação dos grupos chamados de minorias, aqueles que na maioria das vezes são sumarizados dentro da História mais tradicional, como as mulheres, os negros, os indígenas e os homossexuais. Muitas vezes esta contextualização se dava junto com as discussões mencionadas no item anterior, aproveitando o gancho para este tipo de assunto que tais debates criam. Apesar disso, não havia um item formal no currículo que dissesse respeito a estas minorias (outro conceito discutível...), como História da África, por exemplo. Tais temas eram pincelados dentro das perspectivas da própria aula. Tomaz Tadeu da Silva nos coloca que "Os grupos culturais subordinados - as mulheres, os negros, as mulheres e os homens homossexuais - iniciaram uma forte crítica àquilo que consideravam como o cânon literário, estético e científico do currículo universitário tradicional". A necessidade de multiculturalismo na educação, para mim, é tão explícita quanto a necessidade de dialógo entre o professor e os alunos.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Para que serve a escola?
Muito já foi dito sobre este assunto. Mesmo assim, este é o tipo de pergunta que nunca deixará de ser feita, mesmo porque ela não tem uma resposta que possa ser considerada como a mais correta ou a mais completa. E isso não se deve só ao fato de que as respostas são pessoais e influenciadas por uma série de fatores que vão de leituras à vivências. A escola, enquanto instituição, serve para aquilo que se quiser fazer com o que é oferecido dentro de seus limites. São os alunos que escolhem para que serve a escola e esta escolha é individual, de forma que cada um busca os seus próprios objetivos, sejam eles esperados ou não.
Dizer que o papel da escola é preparar para o vestibular ou formar um cidadão consciente são clichês que, apesar de fazerem algum sentido, não definem o verdadeiro papel desta instituição. Milhares de alunos saem pelos portões escolares sem estarem preparados para o vestibular e milhões saem sem estarem conscientes de seja lá do que for. Mas isso não significa que a escola fracassou: apenas aqueles que buscam tais objetivos os alcançam e é aí que entra o poder de escolha dos alunos.
Pensando desta forma, e colocando a vontade do aluno como movimento primário do seu próprio desenvolvimento escolar, pode-se dizer que a escola serve de laboratório de testes, onde alguns aprendizados serão obtidos pela veia formal (a decisão de se esforçar nos estudos, por exemplo) e outros, geralmente de caráter pessoal, serão obtidos pela veia informal (as amizades, por exemplo). É nesse ponto que a escola começa a se tornar indissociável da vida dos alunos e também é nesse ponto que a qualidade da instituição se mostra necessária, pois bons professores e boas infra-estruturas são de grande ajuda para aqueles que de fato estão buscando algo de bom para si mesmos.
Mesmo assim, é importante lembrar que muitos alunos já construíram muito com o pouco que lhes foi oferecido por suas escolas. Isso só vem a reforçar esta idéia da escola mais como uma ferramenta que possui muitas utilidades e também muitas faces, não estando centralizada em lugar nenhum, e menos como um prédio localizado num lugar concreto, como um bairro.
Apresentação
Este blog foi criado por mim, Guilherme Raul Blaese Pasold, para ser o meu digifólio da disciplina de Didática B, ministrada pela professora Jane Bittencourt. Nele se propõe a reflexão sobre as questões discutidas em sala, bem como o desenvolvimento das atividades propostas pela professora como método de assimilação do conteúdo ensinado. O caráter de tais reflexões e atividades variará de acordo com o requerido pela disciplina, assim como as opiniões apresentadas aqui, que serão sempre de minha autoria. E as atualizações também seguirão esta regra, sendo feitas a medida que se tornarem necessárias. O nome do blog é o mesmo nome de um filme de 1979 dirigido por Allan Arkush. Assim como a música "Another Brick in the Wall" do Pink Floyd, este filme também critica a educação demasiada repressora que por muito tempo foi aplicada nas escolas, seguindo o modelo conservador.
No final, a banda de punk rock Ramones explode a escola autoritária onde a trama se passa e é esta cena em especial que ilustra o espírito da película. Sabemos que explosões não são necessariamente o melhor método para se estudar a importância e a necessidade da educação na vida das pessoas, mas também sabemos que uma escola que possibilita a participação dos alunos nas suas próprias atividades é muito mais eficaz tanto para preparar estes alunos para o mercado de trabalho quanto para educá-los para se tornarem cidadãos prontos para melhorarem a sociedade em que vivemos. E é essa forma de pensamento que este blog procurará seguir.
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